Sandra Beck, 2004

Físico: Acontecem mudanças bem visíveis; os pré-molares irrompem – o maxilar inferior se alarga para dar lugar ao nascimento dos dentes permanentes, com isso a face muda. Desaparecem as bochechas redondas, o rosto fica mais comprido e a região da boca se acentua – queixo e maxilar se pronunciam. O pescoço aparece, se estica. O tórax se se torna independente da região metabólica, a região dos pulmões respira, a respiração diafragmática diminui; as costelas se ajeitam para a forma que permanecerá até a vida adulta; as últimas costelas se arcam. Perde a barriguinha. Os braços se alongam e as pernas também. O pé todo toca o chão; o andar muda, fica mais pesado, aparece a curva do pé.

Comportamento: Crise da primeira adolescência. Não quer mais ser pequeno mas ainda não tem habilidade para conseguir executar com êxito as tarefas dos adultos. Querem o que não podem e o que podem não querem. Ficam indolentes, cansados. Só se interessam por coisas especiais, novidades. Querem tarefas, mas tarefas diferenciadas. Querem ser o centro, os preferidos. Adoram ir ao centro da roda ou serem escolhidos. Querem estar sempre do lado do professor; competem com os pequenos ou se ‘emburram’ quando são contrariados; mas também tem atitudes paternalistas com os pequenos ou os que sofrem. Gostam de ser enfermeiros e cuidar dos feridos. Escolhem um amigo preferido.

No desenho: Imitam o desenho um do outro, procuram cores diferentes sobrepondo, acham o verde, o marrom e até o preto. Distinguem o céu da terra; casinha completa com porta, janela e telhado, chaminé e fumaça; às vezes surge alguém olhando na janela. A casa agora pode estar bem no centro da folha. Pode ser um grande castelo com uma janela na torre; ou uma igreja. A casa pode estar em cima da montanha. Surgem montanhas; o sol entre elas. Desenha figuras de perfil, ou sentadas em cadeiras dentro da casa. Aparecem motivos com simetria, lateralidade: borboletas, aves, flores, nuvens com arco-íris no meio, uma ponte, etc. Surge a água, barquinho e peixes. Surgem as pontas, a forma primordial que é o triângulo, que significa a troca dos dentes. Muitos desenhos coloridos indo de fora para o centro da folha. Gostam de usar (tem preferência) pelo marrom, pelo verde e pelo violeta.

Já escrevem o nome direito ou espelhado, em letra de forma.

Histórias: Querem histórias longas, cheias de aventuras. Não aceitam tanto a repetição. Se chateiam nas histórias curtas.

A imitação diminui, ficam bobos, fazem tudo ao contrário, de sapequice. Se escondem, não querem participar da roda, viram de costas, cantam a música ao contrário. Os meninos começam a falar palavrões e sentem prazer com isso. Fase de fazer bagunças ‘pensadas’, como riscar fósforos, fazer armadilhas, tramar contra os de outra sala, etc.

Gostam de costurar, de martelar, lixar, construir, lavar louça, preparar a pintura, lavar os panos, organizar, dobrar, arrumar a sala.

Na hora do lanche já não demonstram devoção na hora de agradecer, brincam e debocham.

Gostam de subir em árvores e lugares perigosos: traves, muros, pontes; de encontrar frutas maduras. Gostam de construir cabanas, estradas, canais, castelos, etc. A brincadeira acaba quando terminam de construí-la. Às vezes conseguem continuar uma brincadeira no dia seguinte ou ficam nela durante vários dias. Gostam de pular corda, já conseguem sair do chão; pular do balanço; pular do muro; pular amarelinha, fazer teatro.

Em casa: Tem dificuldades de acordar de manhã; ficam chorosas; não querem ir para a escola. Diz que todos são chatos, que não tem amigos e fala mal da professora, diz que não é preferido. Difícil para cumprir os hábitos de higiene; quer os pais por perto (ou o pai ou a mãe). Faz questão de fechar a porta do banheiro para ninguém ver: fase pudica. Já sabe limpar-se sozinho e dar laços nos sapatos, mas tem preguiça. Adora fazer o laço para os outros. Quer fazer o que não tem habilidade como servir-se do leite quente pois ainda o derrama e fica decepcionado. Chora com facilidade por aborrecimento, tristeza ou raiva. Fica insatisfeito. Fica cansado com facilidade.

O pai começa a ter muita importância. Quer sair sozinho com o pai; disputa o pai com a mãe. Fazem bilhetinhos de amor com corações para o pai e para a mãe, gostam de dar presentes e de ganhar presentes; tem expectativas de ir para a escola. Gostam de contar, querem ser ouvidos. Já prestam atenção que sonham e contam o que sonharam. Gostam de conversar com o adulto, de estar a seu lado.  À noite ficam chorosos, não querem que apaguem a luz, gostam de histórias sobre o diabo, sobre a astúcia (a inteligência) e histórias de humor. Gostam de piadas e de charadas.

Tem noção de tempo: passado, presente e futuro, e já não se confundem. Começam a se interessar pelas horas, pelo relógio.

Quando brigam em casa dizem que irão fugir. Na escola dizem que vão sair dessa escola.

Sentem vergonha; não devem ser expostos, nem chamar a sua atenção em público. Por outro lado, são safados (baixam as calças dos menores, por exemplo). Pode ter doenças infantis como caxumba.

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A criança de 6 anos