A criança de cinco anos é geralmente calma e completamente feliz consigo mesma. Ela pode, na verdade, estar quieta por longos períodos! Ela dá a impressão de grande propósito e compostura. Ela está amadurecida a ponto de poder encontrar palavras para expressar seus desapontamentos (frustrações) ao invés de rolar sobre o chão e dar pontapés.

Para que isso ocorra é necessário que nós adultos ofertemos às crianças condições para que seu mundo interno desabroche.

Como fazer isso?

Precisamos criar um ambiente acolhedor para a criança. Para que isso ocorra deveríamos resgatar esta capacidade em nós. O que é aconchegante para mim? O que me fazia sentir acolhido quando criança? Somente depois de fazer sentido para mim eu posso criar este ambiente.

Este ambiente ajuda a formar um indivíduo seguro e tranquilo, capaz de achar respostas dentro dele e de reagir de forma equilibrada frente a uma doença ou a qualquer outra situação difícil.

Seguem agora algumas dicas.

Pintar o ambiente infantil com tons claros e aconchegantes, o que remeterá a criança ao calor do útero. Colocar cortinas nas janelas. A cortina pode ser translúcida, em tom avermelhado ou de algodão cru. A cortina aumenta a percepção de segurança da criança.

Um quadro bonito na parede, como a Madonna Sistina, de Rafael. Um pequeno mobile de tricô ou feltro, feito pela mãe ou pela avó.

Manter o espaço, destinado a ela, sempre limpo e iluminado. Ordem e harmonia são incompatíveis com feiura, sujeira e escuridão. Lembramos que o ambiente forma o corpo da criança, assim como define padrões de respostas fisiológicas.

Ordem, limpeza e beleza já garantem meio caminho andado para que se possa ter um ambiente de paz e tranquilidade.

Quanto aos brinquedos, é muito importante que sejam simples (para dar asas à imaginação das crianças), belos (beleza e harmonia são irmãs) e verdadeiros (mostram a realidade de nosso planeta). Os brinquedos precisam apresentar o mundo, que é nossa morada, para a criança. Com esse intuito, os brinquedos devem ser de materiais que encontramos na natureza (madeira, tecido de algodão, sementes, pedras, lã, etc). Este tipo de brinquedo, além de oferecer uma possibilidade muito maior de estímulos sensoriais, contam um pouco do que é composto o planeta Terra. Não devemos oferecer muitos brinquedos para não corrermos o risco da superficialidade: a criança brinca com um, descarta, brinca com outro, e assim vai, sem se aprofundar ou conhecer nenhum brinquedo.

Quando falar ou pegar a criança, faça isso devagar, com cuidado e acompanhando as ações com palavras.

Procure sempre estabelecer um ritmo na vida da criança com horários para comer, tomar banho, dormir, etc. Elimine os horários de correria e resguarde os momentos de recolhimento da criança (se a criança dormir, não a acorde).

Seguindo estes cuidados teremos grande chance de preservar ou mesmo resgatar a infância.

Nossos filhos de cinco anos podem sim, com nosso auxílio, viver a plenitude desta fase.

Nessa idade, a criança começa a “filosofar”. Todas as grandes questões da vida são típicas para as crianças de 5 anos. Quem somos nós, seres humanos, afinal? “Mamãe, o que você acha que é o melhor nas pessoas? Eu penso que o melhor nas pessoas são suas mãos, e braços”.

Nesta fase descobre que tem concepções internas, pensamentos.

De onde eu venho? Quem fez tudo no mundo? Pergunta a criança de cinco anos. Mas ela não está pedindo uma palestra sobre sexualidade ou a nebulosa de gás. A criança pergunta: “Onde é que eu estava quando você era pequena?”, preferivelmente ela quer ouvir que estava em algum lugar. O pensamento “Você não existia” é muito incompreensível, e machuca ouvir que “quando você morre, você não existe mais”. É melhor ouvir alguma indicação de que “antes de você vir para nós, você estava em algum lugar, e você olhava para todas as pessoas, e você escolheu uma mamãe e um papai e veio para nós”. É bom para mim, como mãe imaginar que minhas crianças tenham escolhido justamente a mim e a ninguém mais, para vir; então eu tenho que esforçar-me para mostrar-lhes que fizeram uma boa escolha.

Quando crianças perguntam, nós precisamos ouvi-las atentamente. Quanto elas querem saber?

Precisamos desenvolver a capacidade de respondermos verdadeiramente, sem matar a fantasia infantil e a curiosidade. Além disso, nossa resposta precisa ser do tamanho que a criança consegue digerir e entender.

<Retornar

A criança de 5 anos