jardim
Pouco a pouco príncipes e princesas vão chegando e dando vida ao nosso castelo. A primeira criança que entra na sala olha para os lados e diante de todo aquele espaço ainda vazio, diz com orgulho: “Fui o primeiro a chegar!”. Depois de se sentar e fazer o seu desenho, com grande riqueza de cores e detalhes, levanta-se e vai em busca de seu paninho preferido para se tornar uma capa.

Outras crianças entram e se encaminham para a mesa onde estão dispostas as cestinhas com o giz de cera de abelha. Pegam sua folha e, com certa ansiedade para participarem da brincadeira, desenham mais depressa e se juntam ao cavaleiro que, com sua capa, cavalga seu cavalinho de madeira, que já está com cordas amarradas como rédeas.

E assim, eles prosseguem em um brincar livre, precedido por uma breve “arrumação” dos tocos de madeira, bolinhas de lã e bichinhos que deixam suas cestas e tomam espaço no chão. As cestas passam a ter inúmeras funções, como guarda-chuva, berço de boneca e até casa para os menores.

As demais crianças vão chegando e se acomodando para desenharem e todas, agora, dividem sua atenção entre a folha de papel e o brincar dos colegas. Alguns conseguem se concentrar e são envolvidos pela magia das cores que surgem em sua folha a partir da mistura de duas outras primárias. Outros, ao terminarem de desenharem, gostam de empilhar o giz, montando e desmontando castelos bem altos, em um gostoso brincar com as cores.

Enquanto isso, o lanche vai sendo preparado e algumas crianças pegam suas cadeirinhas e ajudam a lavar a louça, outros auxiliam a enrolar as bolinhas de pão de queijo que irão para o forno e um pequeno grupo, no fogãozinho de madeira prepara nas panelas de brinquedo, uma combinação de pratos: “Fiz uma sopa!”, “eu preparei franguinho, macarrão e molho!”, “suco de melancia!”.

O cheiro que vem do forno permeia o brincar das crianças aguçando seu apetite. E agora é hora de arrumar!

Os meninos correm para arrumar as cadeirinhas colocam bem depressa todas em volta da mesa, as meninas dedicam-se em cuidar das bonecas e arrumar a cabaninha, ajeitando o tapete e as almofadas para os seus bebês dormirem. Todos juntos, guardam tocos, bolinhas e animais em seus cestos. Alguns já reclamam do cansaço, mas duas ou três duplas se formam para dobrar os paninhos lenta e cuidadosamente. Depois de tudo pronto, carrinhos estacionados, fogãozinho em ordem e cordas penduradas, as crianças se reúnem no meio da sala para, com alegria, repetirem os gestos, cantarem as músicas e falarem os versos da roda rítmica.

“Agora, vamos até o banheiro e lavar bem as mãos à espera do grande momento social do dia: o lanche.”

Um a um entram na sala, pegam o seu copo e sentam-se à mesa, depois cantamos e fazemos a oração. E todos começam a comer. Primeiro vem a arvorezinha (brócolis), depois os barquinhos de maçã, o esperado pão de queijo e por último o suco de maracujá. E é neste momento que eles conversam de todo o tipo de assunto, contando uns aos outros, o que comem em suas casas, onde brincam com freqüência e o que mais gostam de fazer.

“Quem já terminou, pode pegar o copinho e o pratinho e colocar ali na pia!”. As crianças pedem licença e saem felizes para o parque, onde depois de escovar os dentes, os pequenos grupinhos se dividem para experimentar as brincadeiras.

Alguém pergunta: “Hoje é dia de água?” e como o dia está quente e a areia bem seca cada um tem autorização para encher um balde com água e alegres começam a misturá-la com areia e formam rios, fazem bolos, sopa e o que mais a imaginação lhes permitir. Algumas crianças estão embaixo da árvore de lichias, tentando encontrar uma vermelhinha para poderem comer, outras tentam subir em seus galhos, com o objetivo de ir até o topo. E cuidando para não ser atropelado por um dos velozes carros que correm pelo gramado (são alguns meninos, com uma peneira na mão que se tornou volante).

As crianças testam o tempo todo a sua corporalidade, pulam corda, correm, penduram-se em galhos, andam se equilibrando em cima dos tocos, e é muito gostoso ver seus cabelinhos voando para trás e rostinhos corados que reluzem alegria, segurança e amizade.

Estamos chegando ao fim de nossa tarde, hora de esvaziar a lama dos baldes e recolher os brinquedos do parque. Todos juntos atrás do trem, sobem a montanha de volta para o castelo, lavam as mãos, bebem água fresquinha e sentam-se dentro da sala, nas cadeiras em roda, para se despedir dos amigos, agradecer o dia, cantar algumas músicas e ouvir um pequeno conto antes dos papais, mamães, vovós e vovôs chegarem para buscá-los!

Mariana M. Hornelas Gervasio