{"id":2604,"date":"2025-09-06T18:01:05","date_gmt":"2025-09-06T21:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/?p=2604"},"modified":"2025-09-06T18:01:05","modified_gmt":"2025-09-06T21:01:05","slug":"como-se-corrompe-o-brincar-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/links\/blog\/artigos\/como-se-corrompe-o-brincar-das-criancas\/","title":{"rendered":"Como se corrompe o brincar das crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p><em>David Elkind<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Durante as \u00faltimas duas d\u00e9cadas, temos progressivamente corrompido o modo de brincar das crian\u00e7as, assumindo o controle e alterando a cultura l\u00fadica da inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Brincar \u00e9 o portal da crian\u00e7a para o conhecimento de si mesma e do mundo<\/strong>. Ao reinventar a experi\u00eancia brincando, ela d\u00e1 significado e valor \u00e0 confus\u00e3o estonteante da vida. O beb\u00ea transforma todo objeto que toca em algo a ser sugado. Desse modo, passa a conhecer os limites de sugar e a natureza dos objetos. Pela imita\u00e7\u00e3o de papeis adultos no jogo dram\u00e1tico, o pr\u00e9-escolar descobre novos potenciais e capacidades humanas. &nbsp;A crian\u00e7a em idade escolar transforma objetos l\u00fadicos, como pe\u00e7as do jogo de damas ou de xadrez e bolas de futebol ou beisebol, em ferramentas valiosas de intercambio social. Todas essas reinven\u00e7\u00f5es contribuem para que ela amplie sus compreens\u00e3o da realidade pessoal e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as \u00faltimas duas d\u00e9cadas, entretanto, <strong>temos progressivamente corrompido o modo de pensar das crian\u00e7as<\/strong>. Temos feito isso assumindo o controle e alterando a cultura l\u00fadica da inf\u00e2ncia. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, havia uma rica linguagem e um saber que eram exclusivos \u00e0s crian\u00e7as e que eram transmitidos pela tradi\u00e7\u00e3o oral. Eles consistiam em jogos, piadas, charadas, supersti\u00e7\u00f5es e encantamentos que foram sendo revistos pelas sucessivas gera\u00e7\u00f5es conforme as transforma\u00e7\u00f5es nas circunstancias sociais. Hoje, contudo, poucas crian\u00e7as conhecem can\u00e7\u00f5es como \u201c<em>Rain, rain go away, come again another day<\/em>.\u201d(1) Elas tamb\u00e9m n\u00e3o entendem as palavras m\u00e1gicas \u201c<em>Step on a crack and break you back.<\/em>\u201d(2) As crian\u00e7as contempor\u00e2neas conhecem, sobretudo a cultura da Disney, Pokem\u00f3n e Yogiyo, que n\u00f3s, adultos, criamos para elas. <strong>Essa cultura l\u00fadica virtual \u00e9 desonesta porque, embora se apresente como brincadeira de crian\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 criada pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"305\" height=\"243\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2605\" srcset=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.jpeg 305w, https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-300x239.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando criamos brincadeiras para as crian\u00e7as, principalmente para as pequenas, apropriamo-nos antecipadamente de seu crescimento. <strong>N\u00f3s as privamos das oportunidades de aprenderem a seu pr\u00f3prio modo e em seu pr\u00f3prio ritmo<\/strong>. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o tentemos criar ou educar as crian\u00e7as, mas apenas que o fa\u00e7amos de maneira que tenham sentido, que sejam significativas e motivadoras para elas. Eis um bom exemplo de uma m\u00e3e, com todas as boas inten\u00e7\u00f5es, tentando interferir no modo de brincar de seu beb\u00ea (Greoline, 1972, p. 13):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Uma jovem m\u00e3e senta-se junto ao ber\u00e7o de seu primeiro filho (para o segundo j\u00e1 h\u00e1 menos tempo) e observa como ele tenta diversas vezes colocar um cubo vermelho sobre um azul. Depois de certo tempo observando isso, ela pergunta: \u2018E onde est\u00e1 aquela sua bonequinha ador\u00e1vel?\u2019. A crian\u00e7a abandona os cubos, procura a boneca e come\u00e7a a lamber o rosto dela, e fica lambendo, lambendo at\u00e9 a m\u00e3e trazer o urso para a cena. \u2018Grr, grr, a\u00ed vem o velho urso\u2019. A crian\u00e7a brinca com ele com as m\u00e3os e por fim mexe uma perna para cima e para baixo, at\u00e9 que, \u00e9 claro, a m\u00e3e entedia-se e chama a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a para a bola. Educadamente, a crian\u00e7a deixa-se distrair pela terceira vez e brinca com a bola. Assim, a m\u00e3e passa uma tarde agrad\u00e1vel e est\u00e1 totalmente inconsciente de como ela interfere na persist\u00eancia e na capacidade de concentra\u00e7\u00e3o de seu filho. Ela impede que ele se acostume a perseverar em uma atividade e a se ocupar inteiramente com alguma coisa durante um longo per\u00edodo de tempo<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 exatamente o que acontece quando os pais de hoje colocam uma crian\u00e7a em frente a uma tela de computador, ou lhes d\u00e3o brinquedos que s\u00e3o t\u00e3o programados que deixam pouco ou nenhum espa\u00e7o para a crian\u00e7a explor\u00e1-lo em seu pr\u00f3prio ritmo e a seu pr\u00f3prio modo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Efeitos do brincar virtual prematuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando as crian\u00e7as s\u00e3o introduzidas no mundo virtual ao mesmo tempo em que s\u00e3o expostas ao mundo real, ou at\u00e9 antes disso, o brincar perde muitas de suas fun\u00e7\u00f5es adaptativas. Compare-se um beb\u00ea que sacode um chocalho para ouvir um som com outro que aperta um bot\u00e3o para ouvir uma vaca mugir. No mundo real, sacudir um chocalho realmente faz barulho, mas apertar um bot\u00e3o n\u00e3o faz uma vaca mugir. Quando deixados com seus pr\u00f3prios recursos, os beb\u00eas descobrem o mundo f\u00edsico real. Como declara Richard Hartacher (1967, p. 27):<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"308\" height=\"204\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2606\" srcset=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1.jpeg 308w, https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-1-300x199.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cPara o beb\u00ea, os brinquedos s\u00e3o objetos experimentais totalmente apo\u00e9ticos que servem para explorar os santificados dom\u00ednios da f\u00edsica. A explora\u00e7\u00e3o da f\u00edsica, portanto, come\u00e7a muito antes da escola secund\u00e1ria. Bola, chocalho, colher, tudo cai no ch\u00e3o. Mas o som \u00e9 diferente a cada vez. Pela repeti\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, o ouvido aprende a distinguir as diferentes qualidades do som produzido pelos diversos objetos\u201d. &nbsp;<strong>Aprender a operar no mundo virtual \u00e9, em certos aspectos, mais f\u00e1cil do que aprender a operar o mundo real.<\/strong> Ligar a televis\u00e3o \u00e9 um caso pertinente. Contudo, grande parte do mundo da televis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a realidade. <strong>O brincar virtual \u00e9 corruptor porque impede a crian\u00e7a de adquirir muitas habilidades pessoais\/sociais e o conhecimento f\u00edsico que s\u00f3 pode ser obtido brincando-se no mundo real<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os adultos assumem o controle sobre as brincadeiras e os jogos das crian\u00e7as, eles necessariamente subtraem a capacidade delas de reinventar sua experi\u00eancia. E \u00e9 somente atrav\u00e9s dessa reinven\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as s\u00e3o capazes de extrair todos os benef\u00edcios do brincar para o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A import\u00e2ncia de \u201cbrincar de verdade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito das afirma\u00e7\u00f5es acerca dos benef\u00edcios do lapware e de programas como Teletubbies, n\u00e3o existem dados que apoiem os benef\u00edcios intelectuais, sociais ou comportamentais desse tipo de atividade virtual. Na verdade, a maioria dos dados sugere que esses programas provavelmente fazem mais mal do que bem. Por exemplo, temos assistido Vila S\u00e9samo h\u00e1 mais de 30 anos. <strong>As crian\u00e7as de hoje conhecem n\u00fameros e letras em idade mais precoce do que nunca; por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e3o aprendendo a ler ou fazer c\u00e1lculos mais cedo e melhor do que crian\u00e7as que nunca assistiram a Vila S\u00e9samo.<\/strong> De fato, considerando-se o n\u00famero de crian\u00e7as que est\u00e3o sendo retidas no jardim de inf\u00e2ncia porque ainda n\u00e3o t\u00eam habilidades, o aprendizado precoce pode estar tendo um efeito negativo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"201\" height=\"213\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2608\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Um estudo de Hirsh-Pasek (1991) \u00e9 instrutivo a esse respeito. A pesquisadora comparou crian\u00e7as que frequentam pr\u00e9-escolas acad\u00eamicas com outras que frequentam pr\u00e9-escolas centradas nas crian\u00e7as e orientadas a brincar. As crian\u00e7as que frequentavam as pr\u00e9-escolas acad\u00eamicas eram menos criativas e mais ansiosas do que as que frequentavam as pr\u00e9-escolas que davam \u00eanfase ao brincar. Elas tamb\u00e9m gostavam menos da escola do que as crian\u00e7as com as quais foram comparadas. Os pr\u00e9-escolares ensinados academicamente sabiam n\u00fameros e letras melhor do que o grupo que brincava, mas essas vantagens eram dissipadas quando as crian\u00e7as ingressavam no jardim de inf\u00e2ncia e voltavam a brincar.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo mais recente, de Coolahan, Fantuzzo e Mendez (2000), oferece mais evid\u00eancias sobre a import\u00e2ncia de brincar no mundo real para crian\u00e7as dessa faixa et\u00e1ria. Esses pesquisadores constataram que as <strong>crian\u00e7as que possuem compet\u00eancia para brincar com seus amigos participam mais ativamente das atividades em sala de aula do que as que carecem dessas habilidades<\/strong>. Na realidade, as crian\u00e7as que s\u00e3o inaptas para brincar s\u00e3o destrutivas ao brincar com os amigos e tendem a apresentar problemas de conduta e hiperatividade na sala de aula. (Coolahan et al., 2000). Essas s\u00e3o as crian\u00e7as que mais provavelmente se ocupam com o brincar virtual antes do real.<\/p>\n\n\n\n<p>Evid\u00eancias ainda mais convincentes da import\u00e2ncia de brincar prov\u00eam de outros pa\u00edses ocidentais que fizeram experi\u00eancias com instru\u00e7\u00e3o acad\u00eamica precoce, contraposta ao brincar no mundo real. Um relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Real Brit\u00e2nica inclu\u00eda o seguinte par\u00e1grafo (Commons, 2000, p 122-123):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>A compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses sugere que n\u00e3o existe benef\u00edcio em iniciar a instru\u00e7\u00e3o formal antes dos seis anos. A maioria dos outros pa\u00edses europeus admite as crian\u00e7as \u00e0 escola aos seis ou sete anos, ap\u00f3s um per\u00edodo de tr\u00eas anos de educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar que se concentra no desenvolvimento social e f\u00edsico. Entretanto, os padr\u00f5es de leitura e escrita e a capacidade aritm\u00e9tica costumam ser mais elevados nesses pa\u00edses do que na Gr\u00e3-Bretanha, a despeito de ingressarem na escola em idade mais precoce<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos de corromper o modo de brincar das crian\u00e7as ficam mais evidentes quando elas ingressam na escola. Aqui que a falta de habilidades pessoais, sociais e oriundas do brincar torna-se mais vis\u00edvel. Falta de respeito pelos professores, intimida\u00e7\u00f5es, trapa\u00e7as e incapacidade de concentra\u00e7\u00e3o por longos per\u00edodos s\u00e3o hoje lugar-comum. Esse novo ambiente social \u00e9, ao menos em parte, atribu\u00edvel \u00e0 aus\u00eancia de experi\u00eancia l\u00fadica no mundo real. Consequentemente, grande parte do tempo do professor \u00e9 atualmente dedicada \u00e0 disciplina, em vez de dedicada \u00e0 instru\u00e7\u00e3o. E isso em uma \u00e9poca em que as demandas acad\u00eamicas s\u00e3o maiores do que em qualquer per\u00edodo anterior. Esta \u00e9 apenas uma amostra das evid\u00eancias dos efeitos negativos de impor realidades virtuais criadas por adultos \u00e0s crian\u00e7as antes de elas terem lidado com o mundo real a seu pr\u00f3prio modo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"236\" height=\"132\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2607\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com certeza, sempre existiu alguma realidade virtual nas vidas das crian\u00e7as pequenas. Nos contos de fada infantis, existem animais que falam e que se comportam como humanos, como em Os Tr\u00eas Ursinhos ou Os Tr\u00eas Porquinhos. No entanto, essas hist\u00f3rias encontram correspond\u00eancia no modo de pensar das crian\u00e7as pequenas, pois estas projetam qualidades humanas sobre os animais, de modo que os contos de fada tendem a condizer com seu modo de pensar. Como Bettelheim deixou claro, <strong>muitos contos de fada possuem um efeito terap\u00eautico<\/strong>. Os personagens da realidade virtual, contudo, s\u00e3o fant\u00e1sticos e n\u00e3o coincidem realmente com o pensamento infantil. Um beb\u00ea com uma tela de televis\u00e3o na barriga ou um homem-esponja n\u00e3o s\u00e3o personagens que as crian\u00e7as evocariam sozinhas. E \u00e9 question\u00e1vel se esses personagens s\u00e3o terap\u00eauticos. A necessidade primordial dos beb\u00eas \u00e9 estabelecer v\u00ednculos com adultos significativos, e n\u00e3o com figuras bidimensionais animadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reformando o brincar das crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos negativos de uma exposi\u00e7\u00e3o prematura \u00e0 realidade virtual s\u00e3o mais intensos nos primeiros anos de vida. Precisamos limitar o tempo que beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas passam em frente \u00e0 televis\u00e3o: no m\u00e1ximo duas horas por dia e, se poss\u00edvel menos do que isso. Um bom kit de blocos de madeira \u00e9 um dos melhores brinquedos que podemos dar para uma crian\u00e7a pequena. Outros materiais pl\u00e1sticos, como tintas e argila, oferecem, \u00e0s crian\u00e7as a oportunidade de brincarem sozinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias no mundo real s\u00e3o muito importantes para as crian\u00e7as pequenas. A jardinagem \u00e9 uma grande atividade interessante, pois elas plantam e v\u00eaem as plantas crescerem. Passeios ao ar livre e visitas a museus e aqu\u00e1rios tamb\u00e9m ajudam a colocar as crian\u00e7as em contato com a natureza. N\u00e3o vejo nenhuma justificativa para coloc\u00e1-las em esportes organizados ou individuais durante os anos de pr\u00e9-escola. Por outro lado, as crian\u00e7as pequenas devem ter a oportunidade de brincar com os amigos a seu pr\u00f3prio modo e com suas inven\u00e7\u00f5es. Disponibilizar acess\u00f3rios como roupas, chap\u00e9us e sapatos para serem utilizados por elas em representa\u00e7\u00f5es teatrais tamb\u00e9m s\u00e3o muito \u00fateis. Em faixas et\u00e1rias mais avan\u00e7adas, precisamos monitorar a televis\u00e3o e o envolvimento com a Internet e insistir para que as crian\u00e7as tenham per\u00edodos de intervalo a fim de brincar com seus pr\u00f3prios recursos. Estabelecer um hor\u00e1rio semanal para brincar em fam\u00edlia \u00e9 outro modo de garantirmos que as crian\u00e7as aprendam as habilidades sociais e intelectuais oriundas de brincar no mundo real, dedicado a jogar, fazer uma tranquila refei\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia ou visitar um parque, museu ou zool\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo virtual da tecnologia moderna est\u00e1 aqui para ficar, e as crian\u00e7as certamente precisam aprender a viver e operar nele. Meu argumento \u00e9 apenas que elas precisam aprender e operar no mundo real antes de come\u00e7ar a viver e lidar com o mundo virtual. \u00c9 preciso ter ra\u00edzes al\u00e9m de asas. Brincar de verdade d\u00e1 \u00e0 crian\u00e7as as ra\u00edzes; o brincar virtual lhes d\u00e1 suas asas. Elas precisam de ambas e na ordem certa.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas<\/p>\n\n\n\n<p>1 \u201cV\u00e1, v\u00e1 embora, chuva, e volte no outro dia\u201d. Can\u00e7\u00e3o tradicional inglesa da \u00e9poca da Rainha Elisabeth I.<\/p>\n\n\n\n<p>2 \u201cPise numa rachadura e quebre a espinha\u201d. Segundo a supersti\u00e7\u00e3o, comum entre as crian\u00e7as e origin\u00e1ria do s\u00e9culo XIX, pisar nas trilhas do cal\u00e7amento d\u00e1 azar.<\/p>\n\n\n\n<p>David Elkind \u00e9 doutor em Psicologia Cl\u00ednica e professor de Desenvolvimento da Crian\u00e7a na Tufts University, em Medford, MA (Estados Unidos).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Elkind Durante as \u00faltimas duas d\u00e9cadas, temos progressivamente corrompido o modo de brincar das crian\u00e7as, assumindo o controle e alterando a cultura l\u00fadica da inf\u00e2ncia. Brincar \u00e9 o portal da crian\u00e7a para o conhecimento de si mesma e do mundo. 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