{"id":2658,"date":"2025-09-29T15:12:00","date_gmt":"2025-09-29T18:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/?p=2658"},"modified":"2025-09-29T15:12:00","modified_gmt":"2025-09-29T18:12:00","slug":"a-aceleracao-da-infancia-e-seus-impactos-na-adultizacao-das-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/links\/blog\/artigos\/a-aceleracao-da-infancia-e-seus-impactos-na-adultizacao-das-criancas\/","title":{"rendered":"A Acelera\u00e7\u00e3o da Inf\u00e2ncia e seus Impactos na Adultiza\u00e7\u00e3o das Crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinicius Alves, 28\/08\/2025<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c\u00c9 poss\u00edvel imaginar o mundo sem crian\u00e7as, tal como as reconhecemos ainda hoje?\u201d (POSTMAN, 1999)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa frase est\u00e1 presente na lombada do livro \u201cO Desaparecimento da Inf\u00e2ncia\u201d do autor Neil Postman, que teve sua primeira vers\u00e3o escrita em 1982. Mais de quatro d\u00e9cadas atr\u00e1s e est\u00e1 continua sendo uma pergunta que gera grandes reflex\u00f5es nos dias atuais. Reflex\u00f5es essas que, cada vez mais, chegam em n\u00edveis alarmantes. Afinal, como cada um de voc\u00eas, leitores, responderiam essa pergunta? \u00c9 poss\u00edvel imaginar um mundo sem as crian\u00e7as da forma que as percebemos hoje? Ou, para mudar um pouco a forma de olhar, voc\u00ea ainda v\u00ea nos dias de hoje as crian\u00e7as como voc\u00ea foi na sua inf\u00e2ncia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos temas que atingiu as redes recentemente foi o da den\u00fancia da adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, tema essa que felizmente teve como porta voz um comunicador com grande alcance de p\u00fablico, mas, infelizmente, s\u00f3 ganhou devida aten\u00e7\u00e3o depois que foi escancarada da forma que foi. Aparentemente, n\u00f3s, como adultos, deixamos de verdadeiramente prestar aten\u00e7\u00e3o naquilo que acontece a nossa volta todos os dias. Cada vez mais nossos sentidos est\u00e3o sendo agredidos pelo nosso entorno, nos impedindo de ver, ouvir, tocar, experimentar o mundo \u00e0 nossa volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio a toda essa confus\u00e3o da nossa percep\u00e7\u00e3o, uma parte da vida tem sido constantemente atacada, uma parte da vida que n\u00e3o possui ferramentas ou at\u00e9 mesmo capacidade humana para se defender. Dia ap\u00f3s dias a inf\u00e2ncia tem sofrido ataques que os atingem de forma t\u00e3o impactante que transformam seu desenvolvimento como um todo, chegando ao ponto em que crian\u00e7as s\u00e3o utilizadas como objetos de renda utilizando a exposi\u00e7\u00e3o das suas vidas, das suas intimidades, dos seus corpos em redes sociais. Redes sociais que, por sua vez, s\u00e3o direcionadas em sua maioria \u00e0 outras crian\u00e7as, gerando uma bola de neve de normaliza\u00e7\u00e3o da adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro lado ainda mais assustador \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a permiss\u00e3o de tais conte\u00fados nessas redes, mas o incentivo algor\u00edtmico ao acesso desse tipo de conte\u00fado, algoritmo esse que detecta tal adultiza\u00e7\u00e3o\/sexualiza\u00e7\u00e3o e direciona outros conte\u00fados como estes para quem tem interesse. E sabemos bem quem tem interesse&#8230;, n\u00e3o \u00e9 esse o conte\u00fado que ser\u00e1 abordado nesse texto, mas a den\u00fancia se faz necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A adultiza\u00e7\u00e3o, como podemos ver em um livro de 1982, ou ent\u00e3o se olharmos o mundo a nossa volta, n\u00e3o \u00e9 um tema novo, \u00e9 um tema que vem crescendo e se desenvolvendo a muito tempo e que permeia as escolas, at\u00e9 mesmo (se n\u00e3o mais) de educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tema que anda de m\u00e3os dadas com a adultiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 o da acelera\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. Cada vez mais, em um ritmo alarmante, vemos jovens com crises de ansiedade, depress\u00e3o, estresse e, cada vez mais isso est\u00e1 aparecendo ainda mais cedo. Crian\u00e7as ansiosas deixaram de ser casos raros e est\u00e3o se tornando cada vez mais comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda mais alarmante s\u00e3o os casos de suic\u00eddio. Segundo uma not\u00edcia do G1 (2024) em levantamento feito pela Fiocruz em 2022 (o mais recente at\u00e9 a data da not\u00edcia) entre 2002 e 2022 \u201c[&#8230;] entre 2000 e 2022, foi registrado um aumento na propor\u00e7\u00e3o de suic\u00eddios em rela\u00e7\u00e3o ao total de mortes em todos os grupos estudados. Por\u00e9m, de acordo com os pesquisadores da Fiocruz, o aumento foi mais acentuado entre os mais jovens do que entre os adultos, sendo ainda mais expressivo entre as pessoas de 10 a 19 anos.\u201d O estudo mostra que at\u00e9 2019 a probabilidade era maior entre os adultos, se igualou em 2019 e desde ent\u00e3o o grupo de indiv\u00edduos entre 10 e 19 anos superou as porcentagens, chegando, em 2022, a ter uma probabilidade 21% maior que tirar a pr\u00f3pria vida do que jovens adultos (20 a 29 anos). Esse dado por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 extremamente impactante, ent\u00e3o evitaremos falar de n\u00fameros totais, pois n\u00e3o h\u00e1 necessidade de chocar ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que precisamos levar desta triste realidade \u00e9 a urg\u00eancia com que precisamos confrontar essa acelera\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia. Cada vez mais nossas crian\u00e7as est\u00e3o se deparando com situa\u00e7\u00f5es e problemas do mundo adulto, deixando o que realmente importa para tr\u00e1s. Ser crian\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"168\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/download.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2662\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade escolar \u00e9 comum vermos fam\u00edlias de crian\u00e7as em idade de educa\u00e7\u00e3o infantil, at\u00e9 mesmo ber\u00e7\u00e1rio, preocupadas com quest\u00f5es futuras como o vestibular, o mercado de trabalho, o uso das tecnologias etc. todas quest\u00f5es referentes ao mundo adulto, ou do jovem adulto no caso do vestibular, est\u00e3o sendo pressionadas para serem inseridas no mundo infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Educa\u00e7\u00e3o infantil com carteira, caneta e papel onde as crian\u00e7as \u201cestudam\u201d (no sentido conceitual adulto da palavra) para o quanto antes deixarem de serem crian\u00e7as e rapidamente se tornarem \u201cprontas\u201d para a pr\u00f3xima etapa. Por\u00e9m, contraditoriamente, esquecemos que o \u201cpronto\u201d muitas vezes n\u00e3o \u00e9 percept\u00edvel de uma forma simples e que acelerar acaba n\u00e3o s\u00f3 dificultando o desenvolvimento como tamb\u00e9m impedindo por completo a conquista de certas capacidades essenciais para o ser humano que s\u00f3 podem ser conquistadas na janela de desenvolvimento da inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma pergunta que precisa sempre ser feita quando pensamos em educa\u00e7\u00e3o, mas que raramente \u00e9: de onde surge o conhecimento humano?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que cada um de n\u00f3s vai atr\u00e1s de saber sobre alguma coisa? O que nos motiva a dar o pr\u00f3ximo passo em dire\u00e7\u00e3o ao saber? A resposta \u00e9 simples, mas profundamente complexa. O que nos coloca em movimento em dire\u00e7\u00e3o a saber algo novo \u00e9 nossa curiosidade, nossa vontade de saber (se atentem a essa palavrinha, \u201cvontade\u201d, pois ela ser\u00e1 retomada por aqui). O conhecimento \u00e9 fruto da curiosidade humana! A mais cl\u00e1ssica delas sendo a descoberta do fogo, ou do uso dele. A famosa cena do raio que cai em uma \u00e1rvore, fazendo seu tronco pegar fogo e nossos antepassados olhando, assustados, mas encantados por aquela centelha de possibilidades. E n\u00e3o tem nada que suprima mais a curiosidade e a vontade humana do que retirar do ser humano enquanto crian\u00e7a a possibilidade de se encantar com o mundo a sua volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crian\u00e7a \u00e9 um ser profundamente permeado de vontade, vontade essa que precisa, que exige entrar em a\u00e7\u00e3o com o aux\u00edlio de um ambiente que permita que essa vontade se manifeste. Imaginem o quanto de vontade n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para o beb\u00ea se colocar de p\u00e9?! Levantar e cair, levantar e cair, levantar e cair repetidamente sem desistir da sua miss\u00e3o de se colocar de forma ereta perante o mundo. Sejamos sinceros, se dependesse da nossa vontade adulta para nos colocarmos de p\u00e9, com certeza andar\u00edamos deitados. A vontade est\u00e1 presente em todo ser humano, mas, nos primeiros anos de vida, mas especificamente durante os sete primeiros anos de vida, a vontade trabalha de forma mais intensa, reinando sobre nossas outras fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imaginem agora o qu\u00e3o tolhedor para a vontade \u00e9 colocar a crian\u00e7a parada em uma carteira, exigindo dela que suprima sua vontade em benef\u00edcio da abstra\u00e7\u00e3o, da acelera\u00e7\u00e3o do intelecto. A ideia de incentivar o intelecto antes da hora j\u00e1 \u00e9 danosa por si s\u00f3, pois abandona o momento correto do desenvolvimento da vontade e acorda o intelecto antes deste estar maturado para ser utilizado da forma correta, mas para al\u00e9m disso, acelerar o intelecto \u00e9, de forma geral, contraprodutivo em todos os n\u00edveis. Acelerar o intelecto n\u00e3o faz com que o ser humano tenha um pensar mais ou melhor desenvolvido, mas sim acaba tendo o efeito contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acelerar um processo que ainda n\u00e3o est\u00e1 pronto para ser utilizado faz com que este atue de forma prec\u00e1ria. Abstrair sem antes conhecer, vivenciar, experimentar de forma pr\u00e1tica \u00e9 t\u00e3o complexo quanto sem sentido. \u00c9 evidente o tanto de alunos do ensino fundamental que n\u00e3o compreendem as leis matem\u00e1ticas pois as mesmas s\u00e3o entregues apenas como conceitos abstratos ao inv\u00e9s de refletirem a vida em si. Quando o aluno se depara com o problema real, como por exemplo a necessidade de dividir um bolo em peda\u00e7os iguais para os colegas, criar e abstrair essa viv\u00eancia no papel e simbolizar tal viv\u00eancia em uma f\u00f3rmula simplesmente faz sentido. Viver experi\u00eancias permite que, em seguida, criar o conceito simb\u00f3lico seja o pr\u00f3ximo passo natural a ser tomado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"663\" height=\"193\" src=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ritalina-3.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-2661\" srcset=\"https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ritalina-3.webp 663w, https:\/\/jardimdasamoras.com.br\/amoras\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/ritalina-3-300x87.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra barreira \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que ainda n\u00e3o se encontra pronta. Para o adulto n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a necessidade de a crian\u00e7a ter v\u00e1rias capacidades antes de estar pronta para, por exemplo, escrever. Segurar um l\u00e1pis ou uma caneta \u00e9 infinitamente mais complexo do que parece. O ajuste fino da m\u00e3o para tal n\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o de treinar segurando o l\u00e1pis. Fazer brincadeiras de dedinho que explorem as diferentes possibilidades dos dedos, desenhar com giz bloquinho em folhas grandes, fazer in\u00fameros desenhos de forma, fazer um tric\u00f4 de dedo s\u00e3o todas viv\u00eancias que caminham em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita e \u00e0 outras in\u00fameras habilidades manuais e art\u00edsticas. Pular passos n\u00e3o acelera, mas sim fragiliza. Temos ent\u00e3o uma inf\u00e2ncia desenvolvida sem interesse pelo mundo e com as capacidades fragilizadas devido a uma acelera\u00e7\u00e3o cada vez mais r\u00e1pida no intuito de que nossas crian\u00e7as deixem de ser crian\u00e7as o quanto antes para poderem ent\u00e3o se tornarem adultos&#8230; antes da hora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E quais os resultados disso? Bom, os resultados j\u00e1 sabemos, \u00e9 s\u00f3 olharmos a nossa volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tornamos comum, desej\u00e1vel ter crian\u00e7as que cada vez mais trazem tra\u00e7os e capacidades de adultos, desfilando-os quase como pr\u00eamios para os outros. Aclamamos tanto tra\u00e7os intelectuais como: \u201cMinha crian\u00e7a j\u00e1 sabe escrever\u201d, \u201cminha crian\u00e7a j\u00e1 fala ingl\u00eas\u201d, \u201cmeu filho j\u00e1 sabe o nome de \u201cn\u201d capitais do mundo\u201d quanto tamb\u00e9m tra\u00e7os f\u00edsicos: \u201cminha filha j\u00e1 \u00e9 uma mocinha\u201d, \u201colha como minha crian\u00e7a j\u00e1 sabe usar maquiagem\u201d e por a\u00ed vai. Crescer virou vit\u00f3ria e permanecer crian\u00e7a, como deveria ser, se tornou sinal de atraso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que aprendizado para n\u00f3s, adultos, ser\u00e1 o dia em que tivermos a alegria de dizer: \u201cestou aprendendo com meu filho a observar caramujos\u201d, \u201cque gostoso sentar com minha filha na varanda e assistir a chuva cair\u201d, \u201cque emocionante foi quando eu e minha crian\u00e7a escolhemos gotas na janela para ver qual iria escorrer mais r\u00e1pido\u201d, \u201cque aventura foi apostar corrida de barco de papel na corredeira do riacho\u201d. A inf\u00e2ncia passa r\u00e1pido, \u00e9 uma fase extremamente curta da vida e sabemos, como adultos, qu\u00e3o bom seria poder reviv\u00ea-la, aproveit\u00e1-la nem que fosse um ano a mais. Mas, por outro lado, quando olhamos para nossos pequenos, para a inf\u00e2ncia encarnada, nosso desejo \u00e9 que ela acelere, adultize o quanto antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixar a crian\u00e7a ser crian\u00e7a \u00e9 ao mesmo tempo maravilhoso e ego\u00edsta pois, observando a crian\u00e7a ser ela mesma, aprendemos muito mais sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adultiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 momento, \u00e9 processo, \u00e9 cria\u00e7\u00e3o social, \u00e9 estimula\u00e7\u00e3o do ambiente. Desacelerar n\u00e3o \u00e9 atraso, \u00e9 respeito pelo desenvolvimento, \u00e9 respeito pela vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voltarmos a nossa pergunta de abertura \u201c\u00c9 poss\u00edvel imaginar o mundo sem crian\u00e7as, tal como as reconhecemos ainda hoje?\u201d (POSTMAN, 1999) para mim, infelizmente sim. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel como j\u00e1 est\u00e1 acontecendo e em um ritmo assustadoramente r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Postman chega em uma conclus\u00e3o similar ao escrever o pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o de 1994 de seu livro. Neste ele escreve:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Se pelo menos algumas tend\u00eancias para o desaparecimento da inf\u00e2ncia tivessem sido contidas ou revertidas desde que o livro foi escrito, eu estaria muito contente. N\u00e3o traria vergonha alguma para mim ou para o livro dizer que algo que pensei que iria acontecer n\u00e3o aconteceu; que algo que eu sabia que estava acontecendo n\u00e3o est\u00e1 acontecendo mais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>[&#8230;] Minha releitura do livro, lamento dizer, n\u00e3o me leva a mudar nada de importante. O que acontecia ent\u00e3o, acontece agora. S\u00f3 que pior. (POSTMAN, 1999. p. 7-8)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sejamos cada um de n\u00f3s a mudan\u00e7a que o mundo precisa na valoriza\u00e7\u00e3o e no respeito da inf\u00e2ncia em seu tempo verdadeiramente necess\u00e1rio e essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMG, 2024.&nbsp;<strong>Casos de sofrimento mental entre jovens no Brasil preocupam especialistas &#8211; Assembleia Legislativa de Minas Gerais<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.almg.gov.br\/comunicacao\/noticias\/arquivos\/Casos-de-sofrimento-mental-entre-jovens-no-Brasil-preocupam-especialistas\/&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G1<strong>, <\/strong>2024<strong>. Suic\u00eddio entre adolescentes aumenta de forma mais acelerada do que nas demais faixas et\u00e1rias, aponta Fiocruz<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/saude\/noticia\/2024\/09\/19\/risco-de-suicidio-entre-criancas-e-adolescentes-e-21percent-maior-do-que-entre-jovens-adultos-aponta-fiocruz.ghtml&gt;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">POSTMAN, N. 1999. <strong>O Desaparecimento da Inf\u00e2ncia<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o: Suzana Carvalho; Jos\u00e9 De Melo. 2. ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vinicius Alves, 28\/08\/2025 \u201c\u00c9 poss\u00edvel imaginar o mundo sem crian\u00e7as, tal como as reconhecemos ainda hoje?\u201d (POSTMAN, 1999) Essa frase est\u00e1 presente na lombada do livro \u201cO Desaparecimento da Inf\u00e2ncia\u201d do autor Neil Postman, que teve sua primeira vers\u00e3o escrita em 1982. 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